Receber a indicação de um cateter suprapúbico costuma gerar muitas dúvidas — e um pouco de insegurança também.
Neste blog, explico de forma simples o que é a cistostomia, quando ela é recomendada e quais cuidados fazem parte da rotina de quem convive com esse dispositivo.
O que é a cistostomia?
A cistostomia é a colocação de um cateter (tubinho) diretamente na bexiga, através de uma pequena abertura feita na barriga, logo acima do osso púbico. Ele é conhecido como cateter suprapúbico, ou CSP.

Fonte: Indwelling catheterisation in adults: urethral and suprapubic.
A diferença para o cateter “tradicional” é o caminho que ele usa: em vez de passar pela uretra, ele entra direto na bexiga por essa pequena abertura na pele. Isso traz mais conforto para quem precisa usar o dispositivo por muito tempo, além de reduzir o risco de machucar a uretra.
A colocação pode ser feita de forma planejada, em consultório, sala de exame ou centro cirúrgico — ou em caráter de urgência, quando há retenção de urina e não é possível ou seguro colocar um cateter pela uretra.

Fonte: Suprapubic catheterization
Quando o médico indica esse cateter?
O cateter suprapúbico costuma ser indicado nas seguintes situações:
- Dificuldade para urinar (retenção urinária), quando colocar um cateter pela uretra é difícil ou arriscado;
- Doenças neurológicas, como esclerose múltipla ou sequelas de AVC, que exigem uso de cateter por longo tempo;
- Incontinência urinária;
- Pós-operatório de algumas cirurgias, como as da região pélvica;
- Machucados na uretra, quando não é possível passar cateter por ela.
Cada caso é diferente, e o médico avalia junto com o paciente qual é a melhor opção — o cateter suprapúbico, o cateter uretral tradicional ou outras formas de contenção, como absorventes.
Existe alguma situação em que esse cateter não pode ser usado?
Sim. Algumas condições impedem ou exigem mais cuidado na colocação, como problemas de coagulação do sangue não tratados, infecção na região da barriga, ou a presença de próteses vasculares perto do local. É por isso que a avaliação médica antes da colocação é tão importante.
Como todo procedimento, existem riscos possíveis — sangramento, dor e infecção são os mais comuns, e costumam ser bem controlados. Complicações mais sérias são raras, mas por isso é importante ficar atento a sinais como dor forte na barriga, febre ou mal-estar nos primeiros dias após a colocação, e avisar a equipe de saúde se isso acontecer.
Cuidados de higiene no dia a dia
A boa notícia é que cuidar da cistostomia no dia a dia é mais simples do que parece:
- Limpe a pele ao redor do cateter todos os dias, apenas com água e sabão neutro — não é necessário usar produtos antissépticos, e usar demais pode até irritar a pele;
- Evite curativos sempre que possível — o ideal é manter o local ao ar livre. Se houver alguma secreção ou ferida, busque um acompanhamento com o enfermeiro estomaterapeuta;
- Lave bem as mãos antes e depois de mexer no cateter ou na bolsa;
- Observe a pele ao redor do cateter de vez em quando, olhando se está vermelha, inchada, com secreção de cheiro forte ou algum “carocinho” (chamado hipergranulação) — sinais que merecem avaliação do estomaterapeuta.
Cuidados com a bolsa coletora
Alguns hábitos simples evitam boa parte dos problemas:
- Mantenha a bolsa sempre abaixo do nível da bexiga, para a urina escoar por gravidade, e nunca a apoie no chão;
- Esvazie a bolsa regularmente, antes que fique muito cheia — o peso extra pode puxar o cateter;
- Utilize uma fita de fixação na perna, a fim de não tracionar o dispositivo;

Fonte: Indwelling catheterisation in adults: urethral and suprapubic.
- Verifique se o tubo não está dobrado ou torcido, pois isso impede a urina de passar.
Quando o cateter precisa ser trocado?
A frequência é sempre definida pelo médico, mas, de forma geral, a primeira troca só acontece depois que o “caminho” do cateter estiver bem formado — o que leva algumas semanas após a colocação inicial. Depois disso, as trocas costumam ser feitas a cada 2 a 3 meses, podendo ser mais frequentes se houver entupimentos repetidos.
Viver bem com a cistostomia
No começo, é normal sentir insegurança com a ideia de conviver com um cateter. Mas, com os cuidados certos, a rotina se adapta rápido — muitos pacientes voltam a fazer suas atividades normalmente, incluindo trabalho, banho e até atividades físicas leves, sempre respeitando as orientações da equipe de saúde.
Se você tiver qualquer dúvida sobre o seu cateter ou notar algo diferente na sua rotina, o melhor caminho é sempre conversar com o enfermeiro estomaterapeuta ou o médico que acompanha o seu caso.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação e o acompanhamento de um profissional de saúde.
Lisliane Medeiros – Enfermeira estomaterapeuta
