Cuidar de alguém com gastrostomia ou jejunostomia traz muitas dúvidas no dia a dia: quem pode trocar a sonda? É preciso levar ao hospital toda vez? E se ela sair sozinha, é grave?

Este conteúdo foi escrito para responder essas perguntas de forma simples e segura, com base nas normas que regulamentam o trabalho da Enfermagem no Brasil. A ideia é que você entenda melhor o cuidado e saiba, com clareza, quando e como agir.

Afinal, o que é gastrostomia e jejunostomia?

A gastrostomia é uma pequena abertura feita na barriga que liga diretamente ao estômago. Ela é usada para alimentar a pessoa quando comer pela boca não é seguro ou suficiente — por exemplo, após um AVC, em doenças neurológicas ou em algumas condições que dificultam a deglutição.

Ilustração transversal de uma sonda de gastrostomia. O diagrama detalha a anatomia da parede abdominal, mostrando a pele e o músculo, e o interior do estômago. Estão destacados os componentes da sonda: o para-choque interno no estômago, o tubo externo e o conector em Y para alimentação e lavagem.

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artificial (Google Gemini), 2026.

A jejunostomia funciona de forma parecida, mas o acesso é feito um pouco mais adiante, no intestino delgado.

Os dois procedimentos costumam ser indicados quando a alimentação por sonda vai ser necessária por mais de um mês. Isso evita o desconforto de manter uma sonda pelo nariz por muito tempo, que pode causar irritação, feridas e outros incômodos.

Quem pode trocar a sonda de gastrostomia?

Essa é, talvez, a dúvida mais comum. A resposta: o enfermeiro pode trocar a sonda de gastrostomia, desde que:

  • Tenha sido treinado especificamente para esse procedimento;
  • Esteja seguro e confiante para realizá-lo;
  • Siga as orientações do serviço de saúde onde o paciente é acompanhado.

Isso vale tanto para a troca feita no hospital quanto no ambulatório ou na própria casa do paciente, uma vez que o trajeto do estoma já esteja bem cicatrizado (normalmente esse tempo é definido pela equipe que acompanha o caso).

O profissional mais indicado para esse cuidado é o enfermeiro estomaterapeuta — o especialista em feridas e estomias, com formação específica para lidar com esse tipo de situação. Como ainda são poucos no país, um enfermeiro com o preparo adequado também pode realizar a troca com segurança, mas sempre que possível, buscar o acompanhamento de um estomaterapeuta é o caminho mais indicado para o paciente.

E a sonda de jejunostomia?

Diferente da gastrostomia, a troca da sonda de jejunostomia deve ser feita apenas por um enfermeiro estomaterapeuta. Isso porque essa sonda é mais fina e o procedimento exige um conhecimento técnico mais específico, já que o risco de complicações é maior.

Se o seu familiar usa jejunostomia, o ideal é sempre buscar esse profissional especializado para qualquer troca.

A sonda de gastrostomia caiu ou saiu sozinha. O que fazer agora?

Calma, mas não espere. Quando a sonda sai completamente do lugar, é considerada uma situação de urgência — porque a abertura na pele pode começar a fechar em poucas horas, principalmente se a gastrostomia ainda for recente.

O que fazer:

  • Procure um serviço de saúde imediatamente;
  • Um enfermeiro capacitado é quem deve fazer a reintrodução da sonda;
  • Antes de usar a sonda novamente para alimentação ou remédios, o paciente precisa ser avaliado por um médico;
  • Esse cuidado rápido é importante para evitar que o orifício feche e para prevenir infecções na região.

O que é o “Botton” e quando ele é indicado?

O Botton® é um tipo de dispositivo mais moderno e discreto para gastrostomia de longa duração. Ele fica bem rente à pele, tem uma válvula que evita vazamento e é mais confortável no dia a dia — muitas famílias preferem por facilitar o banho, o vestir-se e reduzir o risco da sonda ser puxada acidentalmente.

Fotografia em macro de um bóton de gastrostomia (sonda de alimentação de baixo perfil) fabricado em silicone transparente, contra um fundo branco. O dispositivo mostra a base externa com a tampa de alimentação fechada por uma tira flexível. Na lateral da base, há uma válvula menor com a inscrição 'BAL' impressa em preto, utilizada para insuflar o balão. Uma haste tubular conecta a base externa a um balão de retenção esférico e transparente, que aparece totalmente inflado na extremidade inferior.

Fonte: Site Awmedical

A avaliação de quando trocar a sonda tradicional pelo Botton, incluindo as medidas necessárias na pele e no orifício, é feita pelo enfermeiro.

É preciso verificar o “resíduo do estômago” antes de alimentar pela sonda?

Em alguns casos sim — mas essa verificação (chamada de teste de resíduo gástrico) deve seguir a orientação da equipe de saúde que acompanha o paciente, e não deve ser o único critério usado para decidir se a alimentação pode ou não ser feita. A equipe de enfermagem saberá orientar quando esse cuidado é necessário no seu caso específico.

Perguntas frequentes

Posso trocar a sonda de gastrostomia em casa ou preciso ir ao hospital toda vez? A troca pode ser feita em casa, desde que seja realizada por um enfermeiro capacitado e o estoma já esteja bem formado.

Técnico de enfermagem pode trocar a sonda? Esse é um procedimento considerado de maior complexidade técnica, sendo indicado para o enfermeiro.

Quem troca a sonda de jejunostomia? Somente o enfermeiro estomaterapeuta, especialista nesse tipo de cuidado.

A sonda saiu sozinha, isso é grave? Pode se tornar grave se não for resolvido rápido. Procure ajuda imediatamente para que a sonda seja recolocada o quanto antes.

O Botton é melhor que a sonda comum? Para uso de longa duração, costuma trazer mais conforto e menos risco de saída acidental, mas a indicação deve ser avaliada caso a caso.

Referências

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo. Parecer COREN-SP nº 003/2020: troca de sonda de gastrostomia ou dispositivo de baixo perfil (DBP) e troca de sonda de jejunostomia: respaldo legal e competência dos profissionais de Enfermagem. São Paulo: COREN-SP; 2020.

Conselho Federal de Enfermagem. Parecer nº 06/2013/COFEN/CTAS: troca de sondas de gastrostomia e jejunostomia. Brasília: COFEN; 2013.

Olá, sou Lisliane

Enfermeira pela USP, com especialização em saúde do adulto e do idoso pela USP e estomaterapeuta com habilitação em laserterapia. Atuo no tratamento avançado de lesões, estomias e na reabilitação de pessoas com incontinência fecal e urinária

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