O que é úlcera venosa?

A úlcera venosa é uma ferida na perna causada por insuficiência venosa crônica — quando as veias não conseguem devolver bem o sangue das pernas para o coração.

O sangue se acumula e a pressão dentro das veias se mantém alta. Com o tempo, essa pressão inflama os tecidos e a pele se abre. É a causa mais comum de ferida crônica na perna.

Entre o diagnóstico da má circulação venosa e o aparecimento da ferida passam-se, em média, cinco anos.

Fotografia clínica da região interna do tornozelo, mostrando uma úlcera venosa superficial, de formato irregular e leito predominantemente avermelhado. A pele ao redor apresenta hiperpigmentação castanho-escura e sinais de edema, especialmente na região do tornozelo.

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artifical ChatGPT.

Quem tem mais risco de ter úlcera venosa?

A úlcera venosa atinge principalmente pessoas mais velhas. As estimativas variam entre os estudos, e a faixa mais citada é de 1% a 3% da população idosa.

Os principais fatores de risco são:

  • Idade avançada;
  • Trombose venosa profunda anterior, que deixa sequela nas válvulas das veias;
  • Varizes e histórico familiar de problema venoso;
  • Obesidade;
  • Várias gestações;
  • Muito tempo em pé ou sentado, sem movimentar as pernas.

Como reconhecer uma úlcera venosa?

A úlcera venosa vem com um conjunto de sinais bem característico:

  • Localização acima do tornozelo, em geral na face interna da perna;
  • Ferida rasa, de bordas irregulares, mas bem definidas;
  • Pele ao redor escurecida, num tom castanho ou amarronzado;
  • Inchaço que piora ao longo do dia;
  • Pele endurecida e ressecada, às vezes com coceira;
  • Dor — presente em cerca de 80% das pessoas.

Nem toda ferida na perna é venosa. Precisa de avaliação de um vascular para o diagnóstico correto.

Qual é o tratamento da úlcera venosa?

O tratamento principal é a terapia compressiva: faixas ou meias que apertam a perna de forma controlada e ajudam o sangue a subir.

Estudos mostraram que a compressão faz a ferida cicatrizar cerca de duas vezes mais rápido do que o curativo sozinho, e ainda reduz a dor. Sistemas de várias camadas funcionam melhor que os de camada única.

Antes de comprimir, um exame é obrigatório: o índice tornozelo-braço (ITB), que compara a pressão no tornozelo com a do braço e mostra como estão as artérias. Havendo má circulação arterial, a compressão pode piorar o quadro.

Junto da compressão entram:

  • Limpeza e cobertura adequadas;
  • Retirada do tecido morto (desbridamento), quando indicada;
  • Medicamentos – vasodilatador, se necessário;
  • Tratamento das veias doentes.

Cerca de 60% das úlceras venosas fecham em seis meses. Feridas com mais de um ano, ou maiores que 10 cm², demoram mais.

Perna com bandagem compressiva de múltiplas camadas aplicada do pé até abaixo do joelho, com as faixas sobrepostas em espiral e deixando os dedos dos pés expostos.

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artifical ChatGPT.

Por que a úlcera venosa volta depois de cicatrizar?

Porque a ferida fechou, mas a circulação continua a mesma. Cerca de 6 em cada 10 úlceras venosas voltam a abrir depois de cicatrizadas.

Por isso a meia de compressão não termina quando a pele fecha. Ela vira cuidado contínuo, e é o que mais reduz a chance de a ferida voltar.

Quando isso vira sinal de alerta?

Procure um pronto-socorro no mesmo dia se aparecer vermelhidão que se espalha rápido pela perna, febre, calafrio, dor forte que surgiu do nada ou secreção com cheiro forte. Podem ser sinais de infecção.

Onde a estomaterapia entra no tratamento da úlcera venosa?

estomaterapia é a especialização da enfermagem em feridas, estomias e incontinências. Na úlcera venosa, o enfermeiro estomaterapeuta é quem conduz o tratamento no dia a dia.

Na prática, é esse profissional que:

  • Faz o ITB — é esse exame que diz se a compressão é segura para a sua perna;
  • Escolhe e aplica a compressão certa, na força certa, e ensina você a usar em casa;
  • Prescreve a cobertura da ferida e retira o tecido morto quando é preciso;
  • Cuida da pele em volta, que costuma estar ressecada, escurecida e sensível;
  • Segue acompanhando depois que a ferida fecha, quando o risco de voltar aumenta.

E por que isso pesa tanto? Porque a compressão é o que mais muda a cicatrização — e ainda é pouco usada. Uma pesquisa brasileira publicada em 2012 encontrou compressão em menos de 4% das pessoas atendidas com úlcera venosa. Muita gente troca curativo por meses sem nunca ter feito o exame que abre a porta do tratamento certo.

Perguntas frequentes sobre úlcera venosa

Úlcera venosa tem cura? A ferida cicatriza na maioria dos casos com tratamento adequado. A insuficiência venosa que a causou continua, e por isso a compressão segue depois que a pele fecha.

Posso comprar meia de compressão na farmácia por conta própria? Não sem avaliação. Numa perna com problema arterial, a meia errada pode causar uma ferida nova.

Curativo mais caro cicatriza mais rápido? As revisões disponíveis não mostraram uma cobertura claramente superior às outras. O que mais muda o resultado é a compressão bem indicada e usada de forma constante, além da limpeza correta ferida e escolha certa do curativo a depender da característica da lesão.

Se você convive com uma ferida na perna, leve três perguntas à próxima consulta: já foi feito o meu ITB? A compressão está indicada para mim? Qual é o plano depois que a ferida fechar?

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a avaliação e o acompanhamento de um profissional de saúde.

Lisliane Medeiros — Enfermeira estomaterapeuta. Enfermagem e Residência em Saúde do Adulto e do Idoso pela USP, pós-graduação em Estomaterapia pelo Centro Universitário São Camilo.

Referências

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Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 787, de 21 de agosto de 2025. Regulamenta a atuação da equipe de enfermagem na promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de pessoas com lesões cutâneas.

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Enfermeira pela USP, com especialização em saúde do adulto e do idoso pela USP e estomaterapeuta com habilitação em laserterapia. Atuo no tratamento avançado de lesões, estomias e na reabilitação de pessoas com incontinência fecal e urinária

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