Receber a notícia de que será necessário fazer uma colostomia pode gerar muitas dúvidas. É normal pensar: “Como vou viver agora?”, “Como trocar a bolsa?” ou “Será que vou conseguir voltar à minha rotina?”.
A boa notícia é que, com orientação adequada e os cuidados corretos, é possível trabalhar, viajar, praticar atividades físicas e ter uma boa qualidade de vida.
Neste blog, vou explicar de forma simples o que é uma colostomia, por que ela é feita, como cuidar da bolsa coletora e quando procurar um enfermeiro estomaterapeuta.
O que é uma colostomia?
A colostomia é uma cirurgia em que uma parte do intestino grosso (cólon) é levada até a superfície do abdômen para criar uma nova saída para as fezes.
Essa abertura é chamada de estoma.
Como as fezes passam a sair pelo estoma, elas são coletadas por uma bolsa de colostomia, que fica fixada sobre a pele.

Fonte: Site Sobest – Estomias
Dependendo da doença e do tratamento, a colostomia pode ser temporária ou definitiva.
Por que uma pessoa precisa fazer uma colostomia?
Existem diferentes situações em que a cirurgia pode ser necessária. As mais comuns são:
- Câncer de intestino ou de reto;
- Diverticulite complicada;
- Doença de Crohn;
- Traumas e acidentes;
- Obstrução intestinal;
- Perfuração do intestino.
Em muitos casos, a colostomia é a melhor alternativa para preservar a saúde e permitir que o intestino cicatrize ou continue funcionando adequadamente.
É possível viver bem com uma colostomia?
Sim.
Após o período de adaptação, muitas pessoas voltam a trabalhar, estudar, viajar, praticar exercícios físicos e aproveitar a vida normalmente.

Fonte: Site Gazeta Digital
O segredo é aprender a cuidar da estomia e utilizar corretamente a bolsa coletora.
Quanto mais você conhece sua estomia, mais segurança e independência terá no dia a dia.
Quais complicações podem acontecer?
Como qualquer cirurgia, a colostomia pode apresentar algumas complicações.
As mais comuns são:
- Vermelhidão na pele ao redor da estomia;
- Vazamentos da bolsa;
- Sangramento leve;
- Retração do estoma;
- Prolapso;
- Hérnia paraestomal;
- Dermatite causada pelo contato das fezes com a pele.

Fonte: Convatec – Mantendo a pele periestomal saudável
A boa notícia é que muitas dessas complicações podem ser prevenidas com o equipamento adequado e o acompanhamento de um enfermeiro estomaterapeuta.
Como trocar a bolsa de colostomia?
A troca da bolsa fica muito mais fácil quando você cria uma rotina.
Antes de começar, separe todos os materiais que vai utilizar e, se possível, faça a troca em frente ao espelho. Isso ajuda a visualizar melhor o estoma.
Muitas pessoas preferem retirar a bolsa antes do banho. Durante o banho, a limpeza pode ser feita apenas com água e sabonete neutro.
A água entra no estoma? Não. O estoma não tem um mecanismo que permita a entrada da água durante o banho.
Depois, seque bem a pele antes de colocar o novo equipamento.
Como proteger a pele ao redor da estomia?
A pele ao redor do estoma deve permanecer limpa, seca e sem machucados.
Se o profissional que acompanha você indicar, utilize um spray protetor cutâneo antes de colocar a nova base.
Depois, observe o tamanho do estoma e recorte a abertura da base no tamanho correto.
Na minha prática clínica, uma das causas mais frequentes de vazamentos é o recorte inadequado da base. Pequenos ajustes costumam resolver esse problema e evitar lesões na pele.
O ideal é deixar cerca de 2 milímetros de folga, evitando apertar o estoma ou deixar a pele exposta às fezes.
A bolsa de colostomia cola na pele? Sim. A bolsa de colostomia é fixada por uma base adesiva que cola na pele ao redor do estoma. Esse adesivo foi desenvolvido para oferecer uma boa aderência sem machucar a pele quando o equipamento é removido corretamente. Para garantir uma fixação adequada, a pele deve estar limpa, seca e livre de cremes ou óleos.
Como saber quando trocar a bolsa?
Essa é uma das dúvidas mais comuns.
Na maioria das pessoas, a troca completa do equipamento acontece entre cinco e sete dias. Porém, esse tempo pode variar conforme o tipo de pele, o formato do abdômen, o modelo da bolsa e a rotina de cada pessoa.
Se perceber que a base começou a descolar ou que houve vazamento de fezes por baixo do equipamento, faça a troca imediatamente.
Nunca saia de casa sem um kit de troca
Imagine que a bolsa descole durante um passeio ou uma consulta médica. Ter um kit de troca evita constrangimentos e permite resolver a situação rapidamente.
Por isso, leve sempre uma bolsa reserva, uma base, gaze, lenços e os materiais que você costuma utilizar.
Ter um kit de troca dá mais tranquilidade para sair de casa com segurança.
Existem produtos que ajudam a evitar vazamentos?
Sim.
Dependendo das características da sua estomia, o enfermeiro estomaterapeuta pode indicar produtos que melhoram a vedação da bolsa e protegem a pele.
Entre eles estão:
- Anel de hidrocoloide;
- Pasta para estomia;
- Pó para estomia;
- Spray protetor cutâneo;
- Cinto para estomia.
Cada pessoa tem necessidades diferentes. Por isso, a escolha deve ser individualizada.
Qual é a função do enfermeiro estomaterapeuta?
O enfermeiro estomaterapeuta é o profissional especializado no cuidado de pessoas com estomias.
Ele ajuda na escolha do equipamento mais adequado, orienta sobre a troca da bolsa, previne complicações e trata problemas como dermatites, vazamentos e dificuldades de adaptação.

Fonte: Arquivo pessoal. Enfermeira estomaterapeuta Lisliane Medeiros.
Esse acompanhamento faz toda a diferença para que o paciente tenha mais conforto, autonomia e qualidade de vida.
Como conseguir bolsas de colostomia pelo SUS ou pelo plano de saúde?
As bolsas coletoras podem ser fornecidas tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde, desde que exista indicação clínica.
No SUS, é necessário procurar o Serviço de Atenção à Pessoa Estomizada da sua região para realizar o cadastro e receber os equipamentos.
Já nos planos de saúde, normalmente é preciso apresentar um relatório médico detalhado e a prescrição do material indicado.
Viva bem com sua colostomia
A colostomia representa uma mudança importante, mas não precisa limitar sua vida.
Aprender a cuidar da estomia, conhecer seu equipamento e contar com o acompanhamento de um enfermeiro estomaterapeuta ajuda a prevenir complicações e proporciona mais segurança para retomar sua rotina.
Se você tem uma colostomia, está apresentando vazamentos, lesões na pele, dificuldade para adaptar a bolsa ou deseja uma avaliação especializada, procure um enfermeiro estomaterapeuta. O atendimento individualizado faz toda a diferença para que você tenha conforto, autonomia e qualidade de vida.
Referências
Associação Brasileira de Estomaterapia (SOBEST). Estomias [Internet]. São Paulo: SOBEST; [citado 2026 jun 28]. Disponível em: https://sobest.com.br/estomias/
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Operadoras deverão fornecer bolsas coletoras [Internet]. Rio de Janeiro: ANS; 2013 [citado 2026 jun 28]. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/beneficiario/operadoras-deverao-fornecer-bolsas-coletoras
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº 400, de 16 de novembro de 2009. Estabelece Diretrizes Nacionais para a Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2009 [citado 2026 jun 28]. Disponível em: https://www.ans.gov.br/images/stories/noticias/pdf/p_sas_400_2009_ostomizados.pdf
