Receber a notícia de que será necessário realizar uma estomia intestinal costuma gerar muitas dúvidas e inseguranças.

Como enfermeira estomaterapeuta, acompanho diariamente pessoas com colostomia e ileostomia que recuperam sua autonomia, voltam ao trabalho, viajam, praticam atividades físicas e retomam sua rotina com segurança e confiança..

Neste blog, você encontrará respostas claras, baseadas em evidências científicas e na prática clínica especializada.

O que é uma estomia intestinal?

A estomia intestinal é uma abertura cirúrgica realizada no abdome para permitir a eliminação das fezes quando o intestino não pode exercer essa função naturalmente.

Os principais tipos são:

  • Colostomia: confeccionada a partir do intestino grosso;
  • Ileostomia: confeccionada a partir do intestino delgado;

A estomia pode ser temporária ou definitiva, dependendo da doença e do tratamento indicado.

✅ Verdade: “Quem usa bolsa de colostomia pode ter uma vida normal.”

Após o período de adaptação, a maioria dos pacientes retorna às suas atividades habituais, incluindo:

  • Trabalho;
  • Viagens;
  • Prática de exercícios físicos;
  • Lazer;
  • Vida social;
  • Relacionamento afetivo e sexual.

Fotografia de uma jovem mulher sorrindo alegremente enquanto toma um sorvete de casquinha. Ela está sentada em uma cadeira de praia listrada de azul e branco, sob a sombra de um guarda-sol. Ela veste a parte de cima de um biquíni estampado, uma canga colorida amarrada na cintura e usa uma bolsa de colostomia opaca bege, que está visível no abdômen. Ao fundo, uma praia ensolarada com areia, o mar com ondas, montanhas e outras pessoas aproveitando o dia.

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artificial (Google Gemini), 2026.

O acompanhamento com um enfermeiro estomaterapeuta faz toda a diferença para que essa adaptação ocorra de forma segura e com mais confiança.

❌ Mito: “A bolsa de estomia tem mau cheiro o tempo todo.”

As bolsas modernas possuem filtros que reduzem a saída de gases e odores.

Quando o equipamento está corretamente adaptado e não há vazamentos, normalmente as pessoas ao redor não percebem qualquer odor.

O mau cheiro costuma ocorrer apenas durante o momento da troca ou do esvaziamento da bolsa, como acontece naturalmente em qualquer eliminação intestinal.

❌ Mito: “A bolsa pode soltar facilmente.”

Os equipamentos atuais possuem adesivos de alta tecnologia desenvolvidos para permanecer firmemente aderidos à pele.

Quando a estomia é corretamente avaliada e o equipamento adequado é escolhido, o risco de descolamento é muito baixo.

Além disso, um plano de troca individualizado reduz significativamente complicações como infiltrações e vazamentos.

❌ Mito: “Quem tem estomia não pode praticar atividade física.”

Após a liberação médica, a prática de exercícios físicos é recomendada.

Diversos pacientes realizam:

  • Musculação;
  • Caminhada;
  • Corrida;
  • Pilates;
  • Ciclismo;
  • Natação.
Uma mulher atlética e sorridente com uma bolsa de estomia visível realiza um lunge com halteres em uma academia moderna. O fundo movimentado inclui equipamentos de peso e outros frequentadores.

Fonte: Imagem gerada por Inteligência Artificial (Google Gemini), 2026.

O importante é respeitar o tempo de recuperação da cirurgia e receber orientações individualizadas para prevenir complicações, como hérnia paraestomal.

❌ Mito: “A alimentação nunca mais será a mesma.”

Na maioria dos casos, o paciente volta a ter uma alimentação bastante variada.

Alguns alimentos podem aumentar a produção de gases, alterar o odor ou modificar a consistência das fezes, mas isso varia de pessoa para pessoa.

A introdução gradual dos alimentos e o acompanhamento profissional permitem identificar quais alimentos são melhor tolerados.

❌ Mito: “Toda estomia é permanente.”

Nem toda estomia será definitiva.

Em muitas situações, especialmente após cirurgias por diverticulite complicada, traumas ou proteção de anastomoses intestinais, a estomia é temporária e poderá ser reconstruída posteriormente.

A decisão depende exclusivamente da avaliação do cirurgião e das condições clínicas do paciente.

❌ Mito: “A pele ao redor da estomia sempre ficará machucada.”

Uma pele saudável ao redor da estomia deve permanecer íntegra.

Vermelhidão, dor, coceira, queimaduras ou lesões geralmente indicam que existe algum problema, como:

  • Equipamento inadequado;
  • Vazamentos;
  • Recorte incorreto da placa;
  • Troca inadequada da bolsa.

Essas situações podem ser prevenidas com avaliação especializada.

❌ Mito: “O estoma sente dor.”

O estoma não possui terminações nervosas responsáveis pela percepção da dor.

Por isso, durante a higiene ou troca da bolsa, o paciente pode tocar o estoma sem sentir dor.

Entretanto, caso exista dor na região, é importante procurar avaliação do estomaterapeuta, pois ela pode estar relacionada à pele ao redor da estomia ou a outras complicações.

❌ Mito: “A pessoa nunca mais poderá viajar.”

Viajar é perfeitamente possível.

Com planejamento adequado, o paciente pode realizar viagens nacionais e internacionais levando materiais suficientes para todo o período, além de uma pequena reserva para eventuais imprevistos.

Hoje, milhares de pessoas com estomia viajam regularmente sem limitações.

❌ Mito: “A adaptação é apenas física.”

A adaptação envolve aspectos físicos, emocionais e sociais.

É normal que o paciente passe por um período de insegurança, mudança da imagem corporal e necessidade de aprender novos cuidados.

Nesse momento, o suporte especializado da família, da equipe multiprofissional e do enfermeiro estomaterapeuta contribui significativamente para uma adaptação mais tranquila e para uma melhor qualidade de vida.

Quando procurar um enfermeiro estomaterapeuta?

O acompanhamento especializado é indicado antes e após a cirurgia para:

  • Demarcação pré-operatória da estomia;
  • Escolha do equipamento mais adequado;
  • Prevenção de vazamentos;
  • Tratamento de complicações da pele periestomal;
  • Orientação sobre alimentação, higiene e autocuidado;
  • Educação do paciente e familiares;
  • Promoção da independência e da qualidade de vida.

A atuação do enfermeiro estomaterapeuta reduz complicações, aumenta a segurança do paciente e favorece uma adaptação muito mais tranquila.

Fonte: Estomaterapeuta Lisliane Medeiros

Qualidade de vida em ostomizados

Conviver com uma colostomia ou ileostomia não significa abrir mão da qualidade de vida. Com informação correta, equipamentos adequados e acompanhamento especializado, é possível trabalhar, praticar atividades físicas, viajar, manter relações sociais e viver com autonomia.

Se você ou um familiar possui uma estomia intestinal e deseja um acompanhamento individualizado, procure um profissional qualificado. O cuidado especializado faz diferença desde o pós-operatório até a reabilitação completa.

Olá, sou Lisliane

Enfermeira pela USP, com especialização em saúde do adulto e do idoso pela USP e estomaterapeuta com habilitação em laserterapia. Atuo no tratamento avançado de lesões, estomias e na reabilitação de pessoas com incontinência fecal e urinária

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