A erisipela é uma infecção bacteriana da pele que acomete principalmente os membros inferiores, mas também pode surgir no rosto e, em alguns casos, nos membros superiores. Popularmente conhecida como “Fogo de Santo Antônio”, a doença exige atenção e tratamento precoce para evitar complicações e recorrências.
O que é erisipela?
A erisipela é uma infecção bacteriana da pele e dos vasos linfáticos superficiais, causada principalmente pelo estreptococo.
Ela se caracteriza pelo aparecimento de uma área avermelhada, quente, dolorosa, inchada e com bordas bem delimitadas, podendo evoluir rapidamente se não for tratada adequadamente.

Fonte: Artigo BVS Saúde – Erisipela e Celulite
Os locais mais frequentemente afetados são:
- Pernas e pés;
- Rosto;
- Braços (principalmente em mulheres que passaram por cirurgia para tratamento do câncer de mama).
Quais são os sintomas da erisipela?
Os sintomas costumam surgir de forma rápida e podem aparecer até 48 horas antes das alterações na pele.
Os principais sinais incluem:
- Vermelhidão intensa e bem delimitada;
- Inchaço (edema);
- Dor e sensibilidade local;
- Sensação de calor na região afetada;
- Pele brilhante e esticada;
- Coceira ou ardência;
- Febre;
- Calafrios;
- Mal-estar geral.

Fonte: Ilustração criada com o auxílio do ChatGPT (GPT-5.5, OpenAI).
Nos casos mais graves, podem surgir:
- Bolhas;
- Feridas;
- Necrose (morte do tecido);
- Abscessos.
Como a erisipela se desenvolve?
A infecção ocorre quando a bactéria encontra uma porta de entrada na pele, mesmo que seja uma lesão pequena.
As situações mais comuns são:
- Fissuras entre os dedos dos pés;
- Pé de atleta (micose);
- Picadas de insetos;
- Arranhões e pequenos traumas;
- Feridas e úlceras;
- Incisões cirúrgicas;
- Problemas de circulação, como insuficiência venosa.
Quem tem maior risco de desenvolver erisipela?
Alguns fatores aumentam significativamente o risco da doença:
- Obesidade;
- Diabetes mal controlada;
- Linfedema;
- Insuficiência venosa;
- Hipertensão arterial;
- Dislipidemia (colesterol alterado);
- Doença hepática;
- Imunossupressão;
- Eczema;
- Histórico prévio de erisipela.
Nos últimos anos, a incidência da doença tem aumentado devido ao envelhecimento da população e ao crescimento das doenças crônicas, como diabetes e obesidade.
A erisipela pode voltar?
Sim. A recorrência é relativamente comum e pode ocorrer em até 30% dos pacientes.
Cada novo episódio pode causar mais danos ao sistema linfático, criando um ciclo que favorece novas infecções.
Os principais fatores associados às recorrências são:
- Obesidade;
- Linfedema;
- Problemas circulatórios;
- Diabetes;
- Falta de cuidados com a pele;
- Tratamento inadequado dos fatores de risco.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é, na maioria das vezes, clínico, realizado por meio da avaliação dos sintomas e do exame físico.
Durante a consulta, o profissional também investiga:
- Presença de feridas ou fissuras na pele;
- Histórico recente de infecções;
- Doenças associadas;
- Episódios anteriores de erisipela.
Em alguns casos, pode ser necessária a avaliação de outros especialistas para descartar doenças semelhantes.
Qual é o tratamento da erisipela?
O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível e é baseado principalmente no uso de antibióticos prescritos pelo médico.
Além disso, algumas medidas ajudam na recuperação:
- Hidratação adequada;
- Elevação dos membros afetados;
- Compressas frias;
- Controle rigoroso das doenças associadas;
- Uso de meias de compressão quando indicado.
Casos mais graves podem exigir internação hospitalar, antibióticos intravenosos e, eventualmente, procedimentos cirúrgicos.
Como prevenir novos episódios?
A prevenção é fundamental e inclui:
✅ Manter a pele hidratada e íntegra;
✅ Tratar micoses e pequenas feridas rapidamente;
✅ Controlar o diabetes;
✅ Reduzir o excesso de peso;
✅ Tratar o linfedema;
✅ Melhorar a circulação venosa;
✅ Utilizar terapia compressiva quando indicada;
✅ Adotar hábitos saudáveis e manter acompanhamento profissional.
Qual o papel da estomaterapia no cuidado da erisipela?
A estomaterapia desempenha um papel importante tanto na recuperação quanto na prevenção de recorrências.
O acompanhamento especializado permite identificar precocemente fatores de risco, tratar feridas associadas, orientar cuidados com a pele, controlar o edema e auxiliar no manejo do linfedema e das alterações circulatórias.
Quando existem feridas de difícil cicatrização, edema persistente, insuficiência venosa ou episódios repetidos de erisipela, a avaliação de um enfermeiro estomaterapeuta pode contribuir significativamente para a recuperação, a prevenção de complicações e a melhora da qualidade de vida.
