Um cachorrou atacou você?
Passar por um ataque de animal é uma situação assustadora e que gera muita apreensão. Entre todos os acidentes desse tipo, as mordidas de cães são as mais frequentes, registrando cerca de 4,5 milhões de casos anualmente em todo o mundo.
Apesar de algumas lesões parecerem inofensivas à primeira vista, o grande perigo está nas feridas perfurantes. A boca do animal carrega diversas bactérias, o que eleva drasticamente o risco de infecções graves.
Saber agir nos primeiros minutos e buscar o tratamento correto faz toda a diferença para uma cicatrização segura. Abaixo, detalho o passo a passo de como proceder diante dessa emergência.
O que fazer imediatamente após a mordida?
É natural ficar nervoso, mas tentar manter a calma é o primeiro passo para agir com segurança. Se você ou alguém próximo foi mordido:
Busque atendimento médico: Caso o cão seja de rua ou você não consiga confirmar o status vacinal do animal, dirija-se a um Pronto Atendimento ou Unidade Básica de Saúde para iniciar o protocolo de profilaxia.
Lave a ferida imediatamente: Utilize água corrente em abundância e sabão para limpar o local lesionado.
Investigue o histórico do animal: Se o cão tiver tutor, pergunte imediatamente se a carteira de vacinação (especialmente contra a raiva) está em dia.
Quando ir ao Pronto Socorro?
Toda mordida de cachorro deve ser avaliada por um profissional de saúde, mesmo quando a ferida parece pequena ou sem sinais aparentes de infecção. A boca dos cães abriga diversos microrganismos com alto potencial de causar infecções graves, motivo pelo qual pode ser necessária a prescrição de antibióticos e outras medidas preventivas.
Procure atendimento médico o mais rápido possível, especialmente se a ferida apresentar um ou mais destes sinais de infecção:
- Eritema: vermelhidão ao redor da lesão;
- Edema: inchaço na região afetada;
- Dor persistente ou progressiva;
- Exsudato purulento: presença de pus ou secreção;
- Calor local: pele quente ao toque;
- Necrose: escurecimento da pele ou dos tecidos.

Fonte: Mordida de cachorro na mão: Considerações sobre doenças infecciosas
O que o médico fará? Mesmo na ausência desses sinais, a avaliação médica é fundamental para reduzir o risco de complicações, orientar os cuidados adequados e verificar a necessidade de vacinação e antibioticoterapia.
Raiva e Tétano: Por que a vacinação é inegociável?
As mordeduras são a principal porta de entrada para duas doenças extremamente perigosas:
Raiva Humana
A raiva tem um período de incubação que pode durar de semanas a meses, dependendo da distância da mordida até o Sistema Nervoso Central (SNC). Os sintomas iniciais parecem os de uma gripe comum, mas evoluem para hiperatividade, agitação e paralisia muscular. Atenção: Uma vez que atinge o SNC e os sintomas clínicos aparecem, a raiva é 100% fatal.
Tétano
Causado pela bactéria Clostridium tetani, comum no ambiente e transmitida por feridas profundas. O período de incubação vai de 24 horas a meses. A infecção provoca espasmos musculares dolorosos e incontroláveis, que progridem até causar dificuldade respiratória aguda.
Como é feito o tratamento da ferida?
Devido à alta carga bacteriana envolvida na mordida de cachorro, o manejo contínuo da lesão exige rigor técnico, higiene baseada em diretrizes clínicas atualizadas e proteção adequada da pele.
O tratamento profissional inclui:
- Limpeza qualificada: Uso de soluções antimicrobianas específicas para o leito da ferida;
- Curativos tecnológicos: Aplicação de coberturas de alta performance para o controle de infecção, como curativos à base de Prata, DACC e PHMB, que garantem a limpeza contínua da ferida.
O papel do Estomaterapeuta
Para garantir que a sua lesão feche de maneira rápida, estética e sem complicações infecciosas, o acompanhamento com um enfermeiro estomaterapeuta é o padrão ouro.
Esse especialista domina as tecnologias mais recentes em tratamento de feridas complexas, realiza o manejo prático seguro e orienta o paciente para o autocuidado diário em casa, devolvendo a sua qualidade de vida e segurança durante todo o processo de reabilitação.

4 respostas para “Mordida de cachorro: O que fazer?”
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