O que é pioderma gangrenoso?
O pioderma gangrenoso (PG) é uma doença inflamatória de pele rara e debilitante.
Se caracteriza principalmente por úlceras dolorosas e de rápida evolução. Essas lesões apresentam bordas irregulares, de coloração eritemato-violácea, com tecido necrótico associado.

Fonte: Pioderma Gangrenoso: Um Artigo de Revisão
Uma característica marcante do PG é a tendência ao desenvolvimento de novas lesões após um trauma local, o que indica uma resposta inflamatória alterada e difícil controle.
Embora sua causa exata seja desconhecida, sabe-se que o pioderma gangrenoso não tem origem bacteriana, o que significa que não é uma doença infecciosa.
Essa condição pode surgir em qualquer fase da vida, sendo mais comum em adultos jovens, na faixa etária de 24 a 55 anos, e com maior prevalência no sexo feminino. Casos em crianças são raros, representando menos de 4% das ocorrências.
A incidência do pioderma gangrenoso é estimada entre 3 a 10 casos por milhão de pessoas por ano.
Manifestações clínicas
A apresentação do pioderma gangrenoso (PG) pode variar bastante, mas, geralmente, inicia-se com um nódulo ou pústula. Ao romper, forma-se uma úlcera com centro necrótico, bordas irregulares de tonalidade violácea.
São feridas extremamente dolorosas. Essas lesões podem apresentar secreção purulenta e hemorrágica.
Embora o PG possa afetar diferentes áreas do corpo, as pernas são o local mais comum de envolvimento, frequentemente resultando em cicatrizes atróficas.
O edema também pode estar presente nas áreas afetadas, contribuindo para o desconforto.
O pioderma gangrenoso causa danos significativos à pele em um curto espaço de tempo. A doença possui cinco manifestações:
- Forma ulcerativa;
- Forma vegetativa;
- Forma bolhosa;
- Forma postular;
- Forma pós-operatória.
Cada uma dessas formas apresenta características distintas, mas todas envolvem lesões da pele, dolorosas, que exigem atenção médica e do estomaterapeuta imediata.
Diagnóstico
O diagnóstico do pioderma gangrenoso (PG) é essencialmente clínico e baseado na exclusão de outras condições. Não há exames laboratoriais específicos para identificar o PG.
A avaliação dos sinais e sintomas é fundamental, destacando-se a dor nas lesões ulceradas, a rápida evolução das úlceras e a presença de uma resposta inflamatória exagerada a traumas leves.
Além disso, a biópsia da lesão é um procedimento importante para confirmar o diagnóstico, pois revela a presença de infiltrado neutrofílico, característica típica do pioderma gangrenoso.
Esses exames complementares ajudam a reforçar a suspeita clínica e a diferenciar o PG de outras condições com manifestações semelhantes.
Associação com doenças sistêmicas
Em cerca de 50 a 70% dos casos, o pioderma gangrenoso está relacionado a doenças sistêmicas. Entre as condições mais frequentemente associadas estão a retocolite ulcerativa, a doença de Crohn, a artrite reumatoide, além de distúrbios hematológicos como paraproteinemia, mieloma múltiplo e leucemia.
O PG também pode ocorrer em pacientes com hepatite crônica ativa, neoplasias malignas, infecção pelo HIV, e em indivíduos transplantados que estão imunodeprimidos.
Nos casos restantes, o pioderma gangrenoso se manifesta como uma lesão de pele primária e isolada, e somente nesse modo é chamada de idiopática.
Tratamento medicamentoso
O principal objetivo do tratamento do pioderma gangrenoso é reduzir o processo inflamatório nas lesões e promover o fechamento adequado da ferida, buscando também o melhor resultado estético possível para a região afetada.
O tratamento do PG pode ser desafiador e, até o momento, depende fortemente do uso de medicamentos como imunossupressores, imunomoduladores ou corticosteroides sistêmicos.
Essas terapias desempenham um papel crucial no controle da inflamação e na prevenção da evolução das lesões, sendo os pilares do manejo da doença.
Tratamento de feridas
O manejo adequado das feridas é essencial no tratamento do pioderma gangrenoso, pois as úlceras evoluem e mantém na fase inflamatória. O tratamento precisa ser adaptado conforme a profundidade das lesões e o grau de exsudação.
É fundamental que os curativos sejam atraumáticos e assépticos, evitando o uso de substâncias que possam prejudicar a ferida.
A limpeza deve ser realizada de forma suave, sem desbridamento agressivo. O desbridamento enzimático ou autolítico pode ser útil para remover o esfacelo e os tecidos necróticos, seguido pela aplicação de curativos absorventes ou não aderentes para controlar o exsudato.
Durante a fase inflamatória, curativos antimicrobianos podem ser indicados para reduzir a carga microbiana, assim como bandagens compressivas para controlar o exsudato e o inchaço.
Se o leito da ferida não estiver excessivamente inflamado ou desvitalizado, curativos bioativos, como folhas de colágeno, substitutos dérmicos ou epidérmicos e enxertos, podem ser considerados para ajudar na cicatrização.
Devido à alta sensibilidade da pele a pequenos traumas, o desbridamento cirúrgico e os enxertos de pele devem ser evitados, pois há o risco de agravar o quadro de PG.
Considerações
O tratamento do pioderma gangrenoso pode ser bastante desafiador. Além das terapias médicas, o manejo adequado das feridas, com curativos específicos para cada fase é essencial para o sucesso do tratamento.
O controle da dor também desempenha um papel crucial, sendo fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e garantir uma abordagem eficaz no tratamento dos casos de PG.
Referências
Pinto DC, Gomez DS, Roa Gutiérrez RE, et al. Tratado Latino-americano de Feridas. Guanabara Koogan; 2022. p. 289-296.

Deixe um comentário