Queimaduras no Brasil
Cerca de 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras no Brasil a cada ano, com a maioria dos casos sendo queimaduras de 2º grau, tanto superficiais quanto profundas. Essas lesões afetam a camada média da pele e podem causar dor intensa, bolhas e, dependendo da gravidade, danos que exigem tratamento especializado.

FONTE: Site Bombeiros-Alagoas
No sistema público de saúde brasileiro, o tratamento mais comum é a aplicação da pomada sulfadiazina de prata 1%, que é eficaz no controle de infecções e na promoção da cicatrização. No entanto, em outros países, como Estados Unidos e alguns da América do Sul e Europa, o tratamento de queimaduras graves inclui o uso de pele humana (homóloga) ou pele de animais (heteróloga).
Além disso, substitutos temporários da pele e curativos sintéticos ou biossintéticos também têm sido usados, especialmente em queimaduras superficiais, já que reduzem a necessidade de trocas frequentes de curativos, mas esses tratamentos têm custos elevados.
No Brasil, existem apenas dois bancos de pele em funcionamento: um no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e outro na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Esses bancos atendem a menos de 1% da demanda nacional por pele para tratamento de queimaduras, o que evidencia a necessidade urgente de mais recursos para esses pacientes.
O curativo ideal
O curativo ideal para queimaduras precisa ser de fácil acesso, flexível, aderente ao leito da lesão, resistente ao estiramento, fácil de manipular e, principalmente, de baixo custo. Ele deve também aliviar a dor, evitar perdas hidroeletrolíticas, prevenir contaminação bacteriana, favorecer a cicatrização e promover a formação de tecido de granulação, especialmente em casos de enxertia.
A pele de tilápia em queimaduras
Uma alternativa promissora surge com o uso da pele de tilápia do Nilo, um subproduto da piscicultura, que se destaca pela alta resistência e características microscópicas semelhantes às da pele humana. No Ceará, onde a piscicultura de tilápia é concentrada no açude Castanhão, a pele de tilápia está sendo estudada como um biomaterial para o tratamento de queimaduras.
A pele de tilápia possui uma microbiota não infecciosa, o que a torna uma opção segura para uso como curativo biológico temporário. Rica em colágeno, resistente e elástica, ela é eficaz no auxílio à cicatrização de queimaduras de diferentes graus. Quando aplicada, a pele de tilápia pode permanecer no local por vários dias. Isso ajuda a reduzir os riscos de infecção, evitar a perda de líquidos dos tecidos e aliviar a dor do paciente, tornando o processo de recuperação mais confortável e eficiente.

Mais de 300 casos de pacientes já foram tratados com a pele de tilápia no Ceará, com resultados positivos, sem rejeição, sem infecção e diminuição da dor.

FONTE: Site G1
Um relato de caso com uma paciente de 18 anos, que sofreu queimaduras de 2º grau profundo, demonstrou uma reativação completa da pele em apenas 16 dias de tratamento com a pele de tilápia, sem efeitos colaterais.
Esse avanço coloca a pele de tilápia como uma alternativa inovadora, com alta disponibilidade e fácil aplicação. Com potencial para se tornar a primeira pele animal nacionalmente registrada pela ANVISA, ela pode ser uma solução acessível e eficaz no tratamento de queimaduras, trazendo novos horizontes para a medicina regenerativa.
Referências
G1. Mais de 300 pacientes com queimaduras foram tratados com pele de tilápia no Ceará desde 2016. G1. 19 jan 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/01/19/mais-de-300-pacientes-com-queimaduras-foram-tratados-com-pele-de-tilapia-no-ceara-desde-2016.ghtml. Acesso em: 04 mar 2025.

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