Fazer uma colostomia ou uma ileostomia pode trazer muitas dúvidas. É comum que pacientes e familiares se perguntem: o estoma pode apresentar problemas? Como saber se está tudo bem? Quando devo procurar ajuda?
Essas preocupações são naturais. Embora a maioria das pessoas se adapte bem ao estoma, algumas complicações podem surgir ao longo do tempo. A boa notícia é que, quando identificadas logo no início, grande parte delas pode ser tratada sem maiores dificuldades.
Nesse blog, você vai conhecer as principais complicações da colostomia e da ileostomia, entender por que elas acontecem, aprender a reconhecer os sinais de alerta e descobrir quais cuidados ajudam a prevenir esses problemas.
Por que podem surgir complicações?
A colostomia e a ileostomia são realizadas para tratar diferentes doenças do intestino, como câncer colorretal, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, diverticulite complicada, traumas e obstruções intestinais.
Mesmo sendo cirurgias seguras, o organismo passa por um período de adaptação. Além disso, fatores como a cicatrização, o formato do estoma, doenças pré-existentes e a localização da ostomia podem influenciar no aparecimento de complicações.
Embora essas alterações possam ocorrer em qualquer momento da vida, elas são mais frequentes nos primeiros anos após a cirurgia, especialmente nos primeiros meses.
É possível evitar essas complicações?
Nem todas as complicações podem ser prevenidas, mas muitos problemas podem ser evitados com cuidados simples e acompanhamento especializado.
Algumas medidas fazem toda a diferença:
- Realizar a marcação do local do estoma antes da cirurgia, sempre que possível;
- Aprender a cuidar corretamente da bolsa coletora;
- Manter acompanhamento regular com um enfermeiro estomaterapeuta;
- Observar mudanças na pele e no estoma;
- Controlar doenças como diabetes;
- Evitar o tabagismo;
- Procurar atendimento logo nos primeiros sinais de alteração.
Esses cuidados reduzem o risco de complicações, aumentam o conforto no dia a dia e contribuem para uma melhor qualidade de vida.
Quais são as principais complicações da colostomia e da ileostomia?
Cada pessoa se adapta de forma diferente ao estoma, mas algumas complicações são mais comuns e merecem atenção.
Dermatite periestomal (irritação da pele)
A pele ao redor do estoma deve permanecer íntegra e saudável. Quando entra em contato repetidamente com fezes ou outros efluentes, pode surgir uma irritação chamada dermatite periestomal, uma das complicações mais frequentes em pessoas com ostomia.
Os principais sinais são:
- Vermelhidão;
- Coceira;
- Ardência;
- Dor;
- Pequenas feridas ao redor do estoma.
Na maioria das vezes, o tratamento consiste em corrigir a causa do vazamento, ajustar a bolsa coletora e proteger a pele com produtos específicos. Quanto mais cedo o problema for tratado, mais rápida costuma ser a recuperação.

Fonte: Complicações relacionadas à ostomia
Descolamento mucocutâneo
O descolamento mucocutâneo acontece quando a pele se separa da base do estoma, formando uma abertura entre o intestino e a pele.
Essa complicação costuma aparecer nas primeiras semanas após a cirurgia e pode estar relacionada à dificuldade de cicatrização, infecção, diabetes ou excesso de tensão durante o procedimento.
Os casos leves geralmente evoluem bem com curativos adequados e acompanhamento especializado. Já os casos mais extensos podem exigir uma nova abordagem cirúrgica para evitar outras complicações.

Fonte: Complicações relacionadas à ostomia
Estenose do estoma
A estenose é o estreitamento da abertura do estoma, dificultando a passagem das fezes.
Ela pode surgir meses ou até anos após a cirurgia e estar relacionada à isquemia, retração do estoma, doença de Crohn ou recidiva da doença de base.
Os principais sintomas são:
- Dificuldade para eliminar as fezes;
- Diminuição do calibre das fezes;
- Dor abdominal;
- Inchaço na barriga;
- Sensação de evacuação incompleta.
O tratamento depende da gravidade. Em casos leves, o acompanhamento médico ou com estomaterapeuta e algumas dilatações podem ser suficientes. Já os casos mais avançados podem necessitar de uma nova cirurgia.

Fonte: Complicações relacionadas à ostomia
Necrose do estoma
A necrose ocorre quando o estoma deixa de receber sangue suficiente. Como consequência, sua coloração pode mudar para roxo, cinza ou preto.
Essa é uma situação que precisa de avaliação médica imediata.
Ela pode estar relacionada a alterações na circulação do intestino, sendo mais frequente após cirurgias de urgência ou em pessoas com obesidade.
Sempre observe a cor do estoma. Caso perceba uma mudança importante, procure atendimento o quanto antes.

Fonte: Complicações relacionadas à ostomia
Retração do estoma
A retração acontece quando o estoma fica “afundado”, ou seja, abaixo do nível da pele. Isso dificulta o encaixe da bolsa coletora e favorece vazamentos, que podem causar irritação na pele e comprometer o conforto no dia a dia.
Entre as principais causas estão a tensão excessiva durante a cirurgia, obesidade, ganho de peso após o procedimento e dificuldades no processo de cicatrização.
Em muitos casos, a troca do equipamento por uma bolsa convexa ou o uso de acessórios específicos melhora bastante a vedação.
Prolapso do estoma
O prolapso acontece quando uma parte maior do intestino sai para fora através do estoma, deixando-o mais comprido do que o habitual.
Embora essa alteração possa assustar, nem sempre representa uma emergência. Ela costuma estar relacionada ao enfraquecimento da musculatura abdominal, obesidade, aumento da pressão dentro do abdome, idade avançada ou características do próprio intestino.
Alguns prolapsos podem ser controlados com equipamentos adequados e acompanhamento com estomaterapeuta.
No entanto, procure atendimento imediatamente se o estoma apresentar:
- Mudança da cor para roxo, escuro ou preto;
- Dor intensa;
- Dificuldade para recolocar o intestino;
- Aumento rápido do volume;
- Interrupção da eliminação das fezes.
Hérnia paraestomal
A hérnia paraestomal é uma das complicações tardias mais frequentes em pessoas com ostomia.
Ela acontece quando a musculatura ao redor do estoma enfraquece, formando um abaulamento próximo à bolsa coletora.
Em muitos casos, a hérnia não provoca sintomas importantes. Porém, algumas pessoas podem sentir:
- Peso na região do estoma;
- Dor ou desconforto;
- Dificuldade para fixar a bolsa;
- Aumento do vazamento;
- Alteração no formato do estoma.
Os fatores que aumentam o risco incluem obesidade, cirurgia de urgência, infecção da ferida operatória e esforços físicos intensos.
O tratamento depende da intensidade dos sintomas. Alguns pacientes conseguem conviver bem apenas com acompanhamento do estomaterapeuta e uso de cintas específicas. Já nos casosde dor importante, encarceramento ou obstrução intestinal, a cirurgia pode ser necessária.
Como o enfermeiro estomaterapeuta pode ajudar?
O acompanhamento com um enfermeiro estomaterapeuta faz toda a diferença antes e depois da cirurgia.
Esse profissional é especializado no cuidado de pessoas com estomias, feridas e incontinências, oferecendo orientações personalizadas para cada fase do tratamento.
Entre as principais formas de atuação estão:
- Realizar a marcação pré-operatória do local ideal do estoma;
- Tratar complicações como dermatite, vazamentos, retração e lesões na pele;
- Ensinar técnicas de troca da bolsa e de autocuidado;
- Indicar a bolsa coletora e os acessórios mais adequados para cada pessoa;
- Orientar sobre os cuidados com a pele e com o estoma;
- Acompanhar a adaptação do paciente à nova rotina;
- Oferecer apoio e educação para familiares e cuidadores.
Além dos cuidados técnicos, o estomaterapeuta também ajuda o paciente a recuperar a confiança para retomar suas atividades diárias, trabalho, lazer, prática de exercícios físicos e vida social.
Muitas complicações podem ser evitadas quando o acompanhamento especializado acontece desde o período pré-operatório e continua após a alta hospitalar.
